Acabei de ver uma reportagem no site da revista The Economist e precisei comentar. O artigo, na verdade publicado ontem, fala sobre como o crime em São Paulo caiu nos últimos anos e quais medidas podem ter tido algum impacto nisso.

Vale dizer que nasci aqui e morei aqui a vida inteira e nunca – NUNCA – fui assaltada. Mas conheço várias pessoas que foram. A mais recente, inclusive, às 6 da tarde no meio de um terminal de metrô. Também acrescento que adoro São Paulo. Não me estresso no trânsito magistral da cidade, adoro a vida noturna que ela proporciona e a cultura de fácil acesso (ainda que um tanto cara) que podemos encontrar. Sem contar no tanto de retalho que forma o paulistano hoje.

E também digo que acompanho a The Economist há um tempo e – apesar de nem sempre concordar com tudo – gosto dos artigos. Porém, o artigo sobre São Paulo intitulado “Not as violent as you thought” tem alguns pontos que me fizeram pensar.

Vamos lá…

1 – O primeiro parágrafo diz que um estudo revela que o Brasil tem a 4a maior taxa de assassinatos do mundo. Atrás de Venezuela, Rússia e Colombia. (Ninguém contou os países africanos com governantes genocidas?)

2 – O artigo fala que essa mesma taxa em São Paulo tem diminuído consideravelmente – lembre-se que estamos falando apenas de assassinatos e não de roubos, sequestros e afins. Cita que algumas medidas como controle de armas, melhoria policial em resolver assassinatos (gasp, gasp…), melhoria nos equipamentos policiais, e demografia (porque parece que agora os adolescentes não pensam mais tanto em matar). Até aqui tudo bem. Acredito que essas medidas tenham SIM ajudado na questão. E se o investimento nelas continuar podem ter resultados bem melhores.

3 – Mas aí vem uma frase que me deu arrepios: (em tradução livre): “…em algumas áreas de São Paulo uma gangue denominada Primeiro Comando da Capital assumiu o controle da criminalidade, reduzindo a necessidade de matar seus rivais.” Então grande parte da queda de assassinatos depende do governo e a outra grande parte depende do PCC. Como sempre. Quem não se lembra quando a cidade foi tomada por eles? O poder deles é impressionante. Chega a parecer filme de Hollywood.

Mas lendo a reportagem me veio na cabeça uma norte-americana que veio para o Brasil há 3 anos. Veio fazer um intercâmbio. Perguntei porque ela havia escolhido o Brasil e ela me respondeu: “Porque é barato e porque eu não quis ir p/ a Argentina”.

Ótimos motivos. Bom mesmo foi ver ela completar: “É um país bonito. Cansei de ouvir amigas dizendo que nunca viriam para cá porque têm medo. Eu não tenho medo. Mas confesso que vim esperando um país com bondes e quase nenhum prédio”.

E eu: – “Como nos anos…50?”

Ela: “Isso. Mas vi que não é nada disso. Andei na paulista e não fui assaltada” (Com cara de espanto).

E eu, então, contei a história da minha ex chefe que morava aqui há 35 anos e nunca havia sido assaltada. Passou uma semana em Paris e foi assaltada não uma, mas DUAS vezes.

Enfim….esteriótipos dificilmente são derrubados. E odeio pensar que as pessoas acreditem na paródia que os Simpsons fez do Brasil (com cipós como nosso principal meio de trasporte). Mas pior mesmo é pensar que esteriótipos, normalmente, tem uma base de verdade e que se eu não fosse brasileira e ouvisse algumas histórias daqui eu talvez concordasse que “para o Brasil eu nunca iria.”

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