Ok, chega de desperdício.
Acredito que de vez em quando é importante ressaltarmos nossas demências naturais. Chamo demências porque ser uma pessoa excêntrica é diferente. Excêntrica em alguns momentos, é claro. Todos são assim. Mas para mim, é uma coisa boa. Ser diferente é importante. Eu não aguentaria duas de mim.
Pois bem.

Sento, penso e reflito naquilo que considero os meus grandes….temas. Por exemplo, o que eu usaria para escrever uma novela digna do horário das 8? Quais fatores da minha vida eu colocaria no papel para criar uma trama tão cheia de amores, desamores, vinganças, ódios, bobeiras e tristezas para que eu conseguisse uma audiência que me desse a fama de alguém propício a trabalhar com Fernanda Montenegro?
Não encontrei nada. Não consigo pensar em nada que tenha sido tão devastador a ponto de durar meses e meses e meses de tanta intriga.

Eu cresci acreditando que não tinha que ser igual a todo mundo.
E isso fica comprovado quando lembro de uma lição que aprendi com meu pai.
Aos 12 anos, mais ou menos, todo mundo tinha um certo tênis. Era horroroso mas era moda. Todas as crianças corriam para lá e para cá com aquele tênis. Eu não tinha um mas queria. Pedi um para os meus pais e nem tinha consciência do valor.
Não ganhei o tênis. Ganhei um outro, parecido, mas não aquele. Tentaram me enganar mas toda criança sabe quando tem alguma coisa diferente das outras.

Um tempo depois quando passávamos em frente um favela que tinha no caminho para casa vimos umas crianças brincando na rua, na frente dos barracos que chamavam de casa.
Minha mãe comentou que eles pareciam estar se divertindo. De fato, riam muito e corriam para todo lado. Mas não deixei de ouvir o comentário com certa ironia que saiu do meu pai: ´´E estão todos descalços´´.

Só posso dizer que, o que acredito que sejam lições me mostraram que não é o dinheiro que irá possibilitar a vida em si. Eu vivo APESAR do que eu tenho ou não tenho.
Pode ser excentricidade mas ainda acho que é a melhor escolha de quem teve pais que, no meio do turbilhão de ter filhos, acabaram acertando no ensino da vida. Ou pelo menos nos valores dela.

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