No meio de tanta coisa para fazer, trabalho, textos para provas, último semestre de faculdade, namorado, viagens, TCC e etc….eu não consigo ficar sem ler coisas que não estejam ligadas a tudo isso. Não sei…talvez eu devesse passar mais tempo lendo coisas relevantes para o meu tcc por exemplo, mas sinto que fico extremamente bitolada.

Enfim…no meio dessa minha reclamação, uma amiga da minha mãe – com quem eu troco muitos livros apesar da minha vontade insana de comprar todos os livros do mundo – me emprestou um livro chamado “O Castelo de vidro” de Jeannete Walls.

Eu nunca tinha ouvido falar dessa autora até pegar esse livro e, por isso, não entendia porque ela deveria ter escrito um livro sobre sua vida….ela descobriu urânio? Ou a cura para alguma doença horrível? E etc.

Mas aí….eu li o livro. Aí eu entendi. O livro começa quando ela vê a mãe dela catando lixo de uma lixeira. Ela está num táxi com seu vestido de gala e sente vergonha da mãe. Nos próximos capítulos ela começa a te mostrar como chegou nisso. Tem o episódio em que ela conta que aos 3 anos sofreu severas queimaduras pelo corpo porque a mãe a deixava cozinhar salsichas (a única coisa que tinha para comer) sozinha. Ou os diversos episódios em que o pai chegava bêbado ou torrava o dinheiro (o pouco que tinham) em bebida. E aqueles em que a mãe mais pensava em se tornar uma grande pintora do que em ser mãe dos 4 filhos que dormiam em papelão no chão da sala. E a história tocante de quando ela estava com 10 anos e não tinha merenda para levar ao colégio e ela roubava os restos de outras meninas – roubava do lixo. Ou as vezes em que ela apanhou de outras meninas por ser mais pobre do que os pobres que elas conheciam.

Eu gosto de histórias assim. É pesada e vira e mexe eu sentia um aperto na garganta (mais ainda quando de presente de aniversário de 10 anos ela pediu ao pai – que não tinha dinheiro para comprar um presente – que ele parasse de beber).

Mas tinha uma coisa que nunca faltava na casa dela. Livros. A mãe era uma leitora voraz e todos os filhos sabiam ler antes das outras crianças e devoravam livros. Deve ser por isso que Jeannette se tornou jornalista.

Como meu pai costuma dizer, nada como uma boa lição de vida para fazer a gente esquecer dos nossos próprios problemas. (Ainda suspeito que é por isso que ele me dava tantas biografias de pessoas problemáticas que se tornaram famosas por algo. A de Charlie Chaplin sempre foi uma das minhas preferidas).

Enfim…é uma boa pedida para um dia frio em que vc precise de algumas lágrimas leves para limpar a alma e deitar na sua cama com lençóis limpos e travesseiro de pena de ganso.

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