Eleições são ocasiões de calça justa. Somos OBRIGADOS a exercer um direito que algumas pessoas morreram para tal. Somos obrigados a exercer aquilo que por direito é nosso. Somos obrigados a votar, escolher quem melhor nos representaria num cargo público que democraticamente DEVE existir.

Durante uma eleição, alguns candidatos apresentam propostas que formularam com todos os dados necessários e possíveis que podem ter e com isso, tentam conquistar os votos capazes de os levarem ao “pódio” já que isso tudo parece mais uma corrida.

Em nossa história, humana, percebemos que o homem luta desesperadamente por algo chamado LIBERDADE, por IGUALDADE. No decorrer dos tempos, os fortes impunham seu poder contra os mais fracos, mas, algumas vezes, os mais fracos se encontravam em número maior e com isso, alguns componentes, do grupo dos mais fracos, se juntavam em torno de um ideal em comum e partiam para briga, contra a opressão dos mais forte. Pronto, morte e mais morte, mas que no fim, as vezes, o ideal utópico, era atingido e as vidas perdidas era entoadas num canto histórico que ganhavam admiração e repercussão durantes anos, séculos até.

Um exemplo curto, por dizer, A Grande Alma Gandhi, conseguiu a independência da Índia, sofrendo com seu ideal de luta desarmada e, às vezes, solitária, mas conseguiu. Em nosso país, temos a época da ditadura. Época em que VÁRIOS, estudantes e militantes de causas sociais, foram assassinados durante confrontos contra militares. Essas mortes e assassinatos tiveram alguns objetivos alcançados, outros não e os heróis foram devidamente lembrados, mas, às vezes, não. Temos no Brasil, como exemplo, o caso do estudante chamado Edson Luis que foi assassinado num restaurante chamado Calabouço. Os estudantes fariam uma passeata como forma de protesto contra a alta de preço na comida.

Dizem que ideologias morreram, que não há mais motivos para se lutar em prol de utopias, que utopias são sonhos distantes e, as vezes, sonho de vontades sem sentido. BULLSHIT.

Vivemos numa democracia, falha ou não, mas vivemos. Da forma que queríamos? Que idealizaram nossos mártires? Talvez não, mas vivemos. A democracia significa o governo do povo. Vivemos numa democracia representativa, em que o povo escolhe quem o irá representar para exercer um poder capaz de governar da forma que ele deseja, e é aqui que o voto surge.

O voto obrigatório existiu a partir da década de 30. Era obrigatório por causa do medo de uma participação ínfima e os “currais” eleitorais já existiam de uma forma forte, os votos eram mercadorias bem concorridas. O voto depois foi dissolvido e depois, de novo, com as diretas já, o voto volta para o poder do povo.

Tudo muito lindo, tudo da forma que gostaríamos, mas assim conquistamos um direito OBRIGATÓRIO. Fica parecendo o tipo de coisa que “vocês queriam? Agora FAÇAM”. Não se pode deixar de votar, toda e qualquer pessoa com idade entre 18 e 70 anos.

O voto poderia ser em algum candidato, em branco – que você deixa sua escolha em branco, sem saber quem escolher – e o nulo, que você ANULA seu voto – você escolheria até votar em alguém que não existia. Depois vieram as urnas eletrônicas, que só tem “visivelmente” as escolhas dos candidatos e do voto em branco, como isso funciona, não merece o mérito da questão aqui. O voto nulo acontece quando você escolhe o número de algum candidato que não existe, VOTA NELE e então confirma.

O voto nulo é sim uma forma de protesto, uma forma de considerar sua falta de opção, no decorrer de uma obrigatoriedade que muitas vezes parece sem sentido. O voto é um direito que foi conquistado com o sangue no decorrer da história. Os votos eram comprados e quem não os vendessem pagavam um preço alto, o direito pelo voto foi adquirido de forma muito discutida e alguns poderosos do governo não admitiam perder a autoridade, o domínio.

O voto É um poder legitimo que nos é dado. Votar pode muito bem ser um prazer. O fato de escolher, de ter o direito de optar, de eleger quem você gosta, de selecionar o mais adequado para representá-lo, de exercer um poder tão forte assim, deveria engrandecer qualquer cidadão, mas nem sempre é assim. A falta de opção, candidatos que não representa NADA, a revolta de ter que votar em personagens condicionados que não significam NADA, que não estão preparados para representar NINGUÉM, que são fantoches, mentirosos, nepotistas, cobras criadas para enriquecerem através do dinheiro do povo e que ficam observando quietos o sofrimento de uma população, que se apresentam alheios a amargura alheia.

Votar nulo é uma forma de protesto válido e também uma forma de desobediência civil, como diz o excelente texto do sociólogo Léo Lince, que por sinal, é a favor do voto obrigatório. Votar nulo é demonstrar seu descontentamento com a presente realidade, é exercer seu direito de não votar em ninguém, de apresentar que os candidato existentes não oferecem credibilidade concreta o suficiente para que mereçam um voto.

Acreditar que essa forma de protesto é descabivel, que é um jogar fora o voto, que é reclamar a toa, que é um desperdício incoerente e idiota, que é falta de responsabilidade, que é falta de conscientização política, civil, que é uma palhaçada geral, é uma bobeira sem tamanho, pelo menos para mim. Mas isso é algo muito subjetivo.

Acreditar que uma ação sua não é o suficiente para mudar o que deve ser mudado e ai então deixar de fazê-la, é uma total dissipação de tudo aquilo que se acredita, pelo menos para mim, outra vez algo subjetivo.

Novas ideologias DEVEM surgir, utopias existem para serem pensadas. Devemos acreditar naquilo com o que nós nos identificamos, devemos buscar defender nossas crenças. SEMPRE.

Em ser discurso mais conhecido, o EU TENHO UM SONHO, Martin Luther King, proferiu o seguinte trecho:

“É melhor tentar e falhar, que preocupar-se e ver a vida passar
É melhor tentar, ainda que em vão, que sentar fazendo nada até o final.
Eu prefiro na chuva caminhar, que em dias tristes em casa me esconder
Prefiro ser feliz, embora louco, que em conformidade viver.”
Martin Luther King

É nisso que acredito, é isso que defendo, e é a partir disso, que voto nulo nessas eleições. Prefiro anular meu voto em forma de protesto, do que compactuar com algo que não estou acreditando.

Espero que, aqueles que lerem esse texto, possam entender corretamente minhas posições.

Um abraço à todos.

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