Nunca escondi de ninguém as minhas opiniões políticas. Nunca tive problemas em defender questões que às vezes parecem perdidas. Ainda assim, acho engraçado quando ouço piadas de que sou a “anarquista da turma”.
Eu tenho sim um “Hasta la victoria siempre” tatuado na nuca. Mas acho que, se vc tirar o contexto político da frase (ou de quem disse a frase), ela fala simplesmente de superação. De não desistir. E não sei porque algumas pessoas se ofendem com isso.
Ainda assim, estive há um mês na República Tcheca (separando um post para as maravilhas). País que saiu do comunismo há mais ou menos 12 anos e que desde então se desenvolveu de uma forma espetacular. Acho até invejável. E me peguei questionando porque o Brasil demorava tanto. Desde que sou criança ouço que o Brasil é o “país do futuro”. Isso faz 22 anos. Como assim, a República Tcheca demora 12 anos para evoluir e a gente continua preso num passado patético? Enfim…isso já é uma outra questão e um outro post imenso.

Esse domingo estava na casa de um casal de amigos e decidimos assistir V de Vingança. Esse é um dos meus filmes preferidos e o conteúdo político é sensacional. Sem contar a fotografia.

Não conseguimos ver muita coisa porque a filhinha deles – de menos de 2 anos – não nos permitiu. Mas no dia seguinte encanei que meu namorado tinha que ver o filme. Meio que…OBRIGUEI ele a ver. (Ele concordou quando eu comentei que não tinha NADA de filiminho de mulher).
Ele se impressionou….achou muito interessante mas não entendeu quando eu me emocionei – eu admito algumas lágrimas (“invasão RagnerEu chego a ficar com os olhos lacrimejando em momentos assim também) – na cena em que a população praticamente toda se coloca na frente do Parlamento como que concordando com o discurdo do V de que certas coisas tinham ido longe demais. E eu acho MESMO isso emocionante. Acho bonito ver pessoas lutando por isso ou aquilo. Certo ou errado. Exercendo um direito de falar e meter o pau quando bem entende e sobre o que quiser. Escrevendo e se lamentando pela situação em que vivemos. Se expressando firmemente sobre suas opiniões. Não escondo de ninguém que admiro isso. E que me emociono com isso.
Mas sendo brasileira, isso só em filme mesmo. Ou nos jornais mas em algum outro país. Aqui não. Aqui é só futebol e carnaval. Só mini biquinis e funk.

Mas, devido ao meu “título”, andei pesquisando um pouco sobre anarquia em si. Porque a gente sempre pensa que anarquia é o caos, é a bagunça política, o fim da ordem. E não acho que seja assim. A anarquia só não dá certo porque parte de um pressuposto irreal: que os homens podem ser bons o suficiente a ponto de que não seja necessário um sistema político para o conduzir.
Sério? MESMO? Os humanos da Terra??? Os bípedes que eu conheço??

Não! A idéia pode parecer boa mas dá p/ imaginar o que aconteceria com o mundo sem algumas regras básicas de convivência? Se hoje já é moda jogar pessoas da janela, arrastar crianças por aí, assassinar ex-namoradas…imagina o que seria de nós se nada disso fosse passível de sentença e considerado crime? Portanto, eu acho que o anarquismo é aquele sonho de menina que quer virar princesa. É muito bom sonhar, mas só porque a gente sabe que a realidade é bem diferente. Porque se o sonho se tornasse realidade não seria tão bom quanto é – ou parece ser – nas nossas fantasias. (Afinal, ser princesa deve ser um tédio completo. Onde já se viu alguém viver sem se preocupar com contas a pagar??).

Então eu recuso o titulo que recebi. Ou não. Porque ser anarquista é moda né?! É cult. E cult é sempre interessante. (Eu acho!). Então tá…eu até posso ser anarquista…até porque isso evita que eu me torne petista e esse é um rótulo que eu não suportaria jamais.
De resto, eu continuo rindo de tudo e tatuando o que eu bem entender.

FIGHT THE POWER, BITCH! E depois vamos numa liquidação de sapatos! Ui.

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