Passar conhecimento, transmitir saber, ministrar lição, objetivos que devem ser seguidos somente por aqueles que acreditam que instruir alguém é uma forma válida de transformação humana e de mundo.

Na metade de minha vida – aos 15 anos, me orgulho muito de ter 30 anos, idade fascinante, pela minha concepção, claro – tive alguns dos momentos mais transformadores que já pude viver. Em verdade tenho que esclarecer um mínimo detalhe que auxilie no quesito situar. Tal época ocorreu na década de 90, lá por entre os anos 93 e 96, entre meus 14 à 16 anos. Foram os dois anos mais reveladores, conturbados, turbulento da minha vida. Ok, hoje em dia vivo momentos assim também, mas naquela época, eu ainda não sabia me relacionar com situações tão diversas.

Com essa idade iniciei meu interesse pela filosofia e me deparei com a idéia infindável de me tornar professor, levando o conhecimento à fronteira final, indo aonde nenhum homem tinha ido antes, revelando sabedoria à uma humanidade carente de um direcionamento revelador e que pudesse apaziguar os corações intolerantes daqueles que esquecem da existência de indivíduos sem muita instrução.

Pois bem, já havia estudado os gregos, me inteirado da filosofia no ensino médio ou mesmo de trechos que aprendi na história, mas, de uma hora para outra lí um gibi do batman. (perguntas permeiam a cabeça do leitor). Apolo e Dionísio foram-me apresentados por um super-herói chamado Metamorfo e eis que o nome Nietzsche é citado. Até então não tinha sido atingido tão ferozmente na boca do estomago, até então não tinha sido socado nos rins.

Deixaremos essa história para alguma outra, mais oportuna, eventualidade qualquer.

Eu já tinha assistido entusiasmado ao filme Sociedade dos Poetas Mortos, já tinha me admirado com minhas convicções comunistas, já havia me maravilhado com o amor à sabedoria, já havia me emocionado com Buda e Francisco de Assis. *Estalo*. Quero ser um professor que propicie aos alunos, a busca de um questionamento constante contra as mazelas causadas pela corrupção de um sistema econômico e político desigual, que instigue tais alunos a encontrar o caminho do conhecimento, tanto a priori quanto a posteriori, que eu possa auxiliar na constante busca pela harmonia franciscana e o trilhar do caminho do meio budista.

Lecionar é uma tarefa árdua, as vezes até ingrata, é um exercício diário, constante, incessante de humildade, paciência, pesquisa e glória.

Lembro-me que na faculdade tive uma professora que disse algo que não mais saiu da minha cabeça. “– Quando um aluno mediano ou mesmo ruim, que sempre tira notas 60, 65 ou menos consegue tirar uma nota 70, 80, isso deve ser considerado como uma evolução e devemos ficar alegres por ele. Quando um aluno que sempre tira 80, 90 continua com essa média, não devemos considerar isso bom, já que não houve evolução”.

Tenho tentado considerar esse esclarecimento dela a cada avaliação que faço, a cada conversa que tenho com meus alunos.

Dizem que, de acordo com a base da palavra, alunos são aqueles que não tem luz. Nós professores devemos guiar esses sem luz para o caminho da iluminação, da ilustração (Aufklärung – Kant), do esclarecimento, do conhecimento, da cognição.

Em minha experiência como professor, tenho observado a existência de diversos espécimes caracterizantes do grupo disciplinário. Posso considerar que é quase absurda a quantidade diferencial existente entre tipo de aluno, mas aqui cabe um dado paradoxal. Essa diversidade que eu digo observar pode ser contrariada por outras pessoas, que não acreditam numa diversidade tão grande, pois caracterizam grupos de alunos com perfis idênticos.

O indivíduo aqui pode ser sim, e deve ser, percebido separadamente. Eu consigo observar identidades similares entre alunos, consigo perceber alguns aspectos bem familiares com colegas de minha infância, e como posso, mas prefiro tratar tal faceta como algo particular, pois aquilo que parece nem sempre é.

Obrigado e até a próxima.

Anúncios