“Portanto todos já sabem que ele foi embora. E ela descobriu que ele ia voltar. Esperava que voltasse para ficar aqui. Para que ela pudesse ter sua vidinha certa de novo. But you can´t always get what you want. Voltar, todos voltam. Essa é a regra de quem não sabe onde deve ficar.

Voltou e foi visitar os velhos amigos. Não tão velhos, mas amigos o suficiente.

Ela estava lá, sentada na mesma mesa de sempre, do mesmo jeito. Mal conversaram porque todos queriam saber como foram as coisas, o que ele tinha feito por lá, o que era mais interessante de contar.

E ela saiu para não atrapalhar uma conversa que ela nem queria ouvir. Seria muito terrível ouvir ele dizer que foi a melhor coisa que podia ter acontecido.

Quando o resto do pessoal decidiu descer ela ficou lá com suas fiéis amigas. Conversando mas nervosa. Olhando para os lados, esperando que ele também tivesse descido. Como seria encará-lo de novo quando ela já nem sabia mais o que dizer? O fato é que ela nunca conseguiu olhá-lo nos olhos por muito tempo. O medo de que ele soubesse de todos os segredos simplesmente encarando ela por alguns segundos era imenso.

Sentada na cadeira de outra pessoa ela nem reparou quando ele entrou na sala em que ela estava. Olharam-se por pouco tempo e antes de se juntar aos outros no bar, ele pediu um abraço. Ela não conseguiu disfarçar a angústia que para ele pareceu falta de vontade.

Abraçaram-se.
Quanta coisa naquele abraço.
Quanto tempo que eles haviam perdido.
Quantos beijos que não foram dados.
Quanto da vida podemos perder em alguns segundos?
Quanto podemos nos arrepender sem querer mudar nada?

Ele, enfim, desceu e ela voltou às suas amigas que se mantinham entretidas em qualquer outra coisa. A cabeça divagava, os olhos fixaram-se e o coração batia forte. Forte quase caindo para os pés. Foi um abraço que sintetizou tudo o que eles tinham passado juntos. Um abraço que evidenciou a falta que um fez para o outro. Os cheiros eram os mesmos, os olhares, os sorrisos, o batom dela, o piercing dele. Tudo igual.

Mas ela acreditava que era unilateral. Ela foi para casa pensando que só ela tinha vivido aquele relacionamento. Que só ela sentiu falta. Que só ela queria mais. E isso é horrível. Dói. Entristece. Será que eles não se conheciam de verdade? Será mesmo que não tinham dividido nada? Dúvidas, dúvidas, dúvidas.

Chegou em casa e depois de um banho onde deixou jorrar todo aquele sentimento estranho, ela se arrumou para dormir. Uma boa noite de sono era tudo o que ela precisava depois de uma semana como aquela. A cama quentinha a esperava.

Quando se falaram novamente tudo foi enxaguado como fez a água do banho. Tudo ficou bonito e menos doloroso. Ela andava e os pés não rangeram, se carregar não pesava tanto.Durante a conversa ele disse o que ela precisava escutar para não duvidar do que eles tiveram. Para não aceitar que ela tinha perdido tempo com um idiota. – “Quando vc me abraçou, mesmo que sem vontade, eu percebi que fiz tanta falta para vc, quanto vc fez para mim.”

Consta que as pessoas nos surpreendem quando menos esperamos. E é perfeito quando elas conseguem nos supreender quando mais precisamos. Ainda que não dure muito. Porque mesmo o conto de fadas mais perfeito, tem um meio conturbado. Tem uma princesa quase morta e tem um príncipe perdido.”

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